Inacreditáveis “fatos reais” e os filmes que neles se baseiam

Imagine que você está assistindo a um filme absurdo: os personagens tomam decisões que nenhum ser humano racional faria, os eventos são forçados a um nível ridículo… E aí o filme acaba e, antes dos créditos, aparece um “inspirado em fatos reais”.

E aí você se pergunta em que mundo aconteceram os eventos que deram origem ao enredo.

Porque mesmo com toda a licença poética que Hollywood deve ter usado para transformar os acontecimentos em filme, fica difícil imaginar que na vida real tenha acontecido qualquer coisa que se assemelhe aos eventos dos filmes desta lista.

“O Exorcista”

CfatosreaisGridcapa

 

 

 

 

 

O enredo de “O Exorcista” todo mundo conhece, certo? Menina de doze anos possuída por um demônio, cabeças virando em 360 graus, um padre exorcista, vômito verde do mal, e por aí vai.

O filme, no entanto, é baseado em um livro lançado em 1971 por William Peter Blatty que, por sua vez, é inspirado em um artigo de 1949 do jornal “Washington Post”, sobre um garoto americano de 14 anos, que havia sido possuído e salvo por um exorcismo.

O autor chegou a entrar em contato com o reverendo Edward Hughes, responsável pelo exorcismo.

Blatty conta que chegou até mesmo a ver um diário com detalhes do rito, mas o padre teria pedido para que a informação não fosse divulgada, o que levou o autor a transformar a personagem principal em uma menina de 12 anos, para diferenciar um pouco a história e os fatos.

Até hoje, o nome do menino nunca foi revelado e tudo que se conhece do ocorrido veio de reportagens em jornais, usando como fonte o reverendo da família do garoto e o diário do padre exorcista. Sabe-se que o garoto era um luterano de ascendência alemã, nascido no final dos anos 30 e que, aparentemente, não ocorreu nada de vômito verde ou cabeças virando.

Outros eventos estranhos que poderiam ter explicações naturais teriam ocorrido, no entanto: segundo fontes, a cama do menino às vezes balançava sozinha, objetos caíam no chão, quando ele se aproximava…

Segundo relatos, depois do exorcismo ele pôde viver uma vida perfeitamente normal, com família e um emprego e tudo mais.

Agora, se essa história é tão real quanto aqueles exorcismos que a gente vê em “Show da Fé” ou coisas assim acontecem mesmo, depende da crença de quem ouve a história.

“Compliance”

compliance

 

 

 

 

 

“Compliance” ainda não foi lançado por aqui (tem lançamento previsto para 17 de agosto), mas foi o filme que, de tão absurdo, me motivou a escrever esta lista.

Só escutem o enredo: imaginem que, em uma rede de restaurantes fictícia, o telefone toca e uma gerente estressada, com um estabelecimento cheio e poucos funcionários, atende.

Na linha, está um policial que diz estar com uma senhora que reclamou de ter sido roubada por uma funcionária do restaurante. Ele dá então uma descrição genérica, que poderia ser qualquer garota, e a própria gerente diz: “ah, a fulana?”

A menina em questão é então levada para um escritório nos fundos do restaurante e a gerente, sob orientação do policial, pergunta para ela a respeito do roubo.

O que começa como um simples “engano” se transforma em situação bizarramente abusiva, quando o policial começa a dar ordens estranhas, dizendo que a menina precisa ser revistada; agora, ela precisa ser revistada sem roupas; agora, alguém precisa examinar cada orifício do corpo; não, ela não pode voltar a se vestir; agora, ela precisa ser vigiada por um homem…

Moral da história: a funcionária, além de não ter feito nada, ficou retida nua por diversas horas e acabou sendo estuprada pelo noivo da gerente, a quem havia cabido a missão de vigiá-la.

E não é que o cara tenha tido a ideia sozinho – o ato foi sugerido e incentivado pela pessoa ao telefone que, como vocês já devem ter percebido, não era policial, um psicopata passando um “trote”.

Agora e se eu dissesse que a única coisa que mudou dessa história para a vida real é o nome do restaurante, que era um McDonald’s, na cidade de Mount Washington no Kentucky?

Na verdade, essa história de um homem ligar para diversos restaurantes fast food e fazer com que gerentes despissem e revistassem suas funcionárias foi algo que aconteceu por uma década, até que o ocorrido em Mount Washington levou à prisão do culpado -um cara provavelmente super legal, chamado David R. Stewart.

Sério, ao ver os eventos progredirem no filme, você sente dificuldade em acreditar nas coisas que as pessoas se dispõe a fazer sem questionar porque uma “autoridade” mandou e deu uma justificativa meio retardada do porquê.

Aí a gente pensa que, “não, essas pessoas eram burras e isso jamais aconteceria com um espírito tão independente e questionador como eu”.

E a vantagem de você nunca ter estado em posição de ter que confrontar uma autoridade significa que, por sorte, você nunca teve que descobrir se é como a esmagadora maioria das pessoas, que quer ao máximo evitar problemas com a autoridade e questionaria o que alguém diz ser a “coisa certa” muito menos do que gostaria de admitir.

“Projeto Filadélfia”

The Philadelphia Experiment

 

 

 

 

 

Para ser sincera, a marinha americana nega que qualquer evento desta história tenha ocorrido, mas até aí isso tudo poder o exército tentando ocultar os fatos e impedir o povo de buscar a verdade.

Tudo bem que eu coloco minha mão no fogo de que, com 110% de certeza, nada no Experimento Filadélfia aconteceu, mas como teorias da conspiração são divertidas, vamos fingir que essa possibilidade existe.

A história é a seguinte: em 1943, um navio da marinha americana que estava sendo objeto de pesquisas para torná-lo invisível a radares, teria não apenas se tornado invisível a olho nu, por um breve período de tempo, como também sido teletransportado da Filadélfia para outro estado.

Teorias de física, eletromagnetismo e teorias de Albert Einsten, que eu não tenho condição alguma de tentar começar a entender, teriam sido usadas para explicar o que teria acontecido, no suposto desaparecimento do navio.

Porque, claro, a marinha americana certamente conseguiu guardar mais esse segredo nefasto. Junto com todos os aliens que eles estão pesquisando na Área 51, claro.

O filme a respeito da experiência, lançado em 1984, sequer tenta fingir que a ideia não é absurda: trata-se de uma ficção científica que acompanha dois tripulantes do navio que sobreviveram ao experimento e descobrem ter sido teleportados… Para o futuro.

Porque a história original já não era absurda o bastante sem a inclusão de viagens no tempo.

“A Experiência” (2001) e “Detenção” (2010)

stanford

 

 

 

 

Vocês já ouviram falar do Experimento de Aprisionamento de Stanford? Eu vou tentar resumir aqui, mas joguem no Google depois, se quiserem ficar deprimidos com a humanidade.

Em 1971, o professor Philip Zimbardo, da universidade de Stanford realizou um experimento psicológico com um grupo de estudantes, para estudar o comportamento humano, em uma sociedade na qual o indivíduo é definido pelo grupo.

Foram selecionados 24 jovens, em sua maioria homens brancos e de classe média, que receberiam o equivalente a US$76 por dia, para passar duas semanas no subsolo do Departamento de Psicologia da Universidade, simulando a organização social de uma prisão.

O grupo foi dividido entre “prisioneiros” e “guardas”.

Aos “guardas” não foi dada muita instrução, além de que eles tinham como dever garantir o funcionamento da prisão, podendo recorrer a qualquer meio necessário, que não fosse violência física. Aos prisioneiros, não foi dada instrução alguma.

Ou seja, você dá carta branca para um grupo subjugar outro, que em contrapartida, é completamente desumanizado. Não dá para imaginar onde foi que uma coisa dessas deu errado certo?

Acontece que existem infinitas maneiras de dominar e destruir uma pessoa, sem recorrer à violência física, e os “guardas” de Stanford descobriram isso rapidinho.

Lista rápida de alguns dos abusos sofridos pelos prisioneiros: humilhação sexual, privação de alimentos, privação de itens necessários para higiene básica e outras coisinhas legais que você pode ver aqui.

E aí você pensa “não tem como isso ter acontecido em apenas duas semanas. O experimento foi prolongado, certo?”.

Bom, de fato, não aconteceu em duas semanas: a experiência teve que ser cancelada depois de seis dias, sendo que saiu de controle muito antes disso, mas o responsável estava envolvido demais para perceber que precisava intervir.

A coisa toda foi tão bizarra que inspirou dois filmes: o filme alemão de 2011 “A Experiência“, – que eu nunca assisti, mas dizem ser bom – e a versão americana de 2010, que tem diálogos mal escritos, um final piegas e a capacidade de ter dois atores vencedores do Oscar (Forest Whitaker e Adrien Brody) e ainda assim ser um filme do qual quase ninguém ouviu falar.

Gostou? Compartilhe!

Gostou? Compartilhe!

 

Curta nossa page no Facebook!

Comentários

comentários